Arquivos
 16/07/2006 a 22/07/2006

Votação
 Dê uma nota para meu blog

Outros links
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis




Fabio Fernando Artes
 


 

 

Fábio Fernando da Silva é desenhista e poeta (nas horas “forjadas”). A poesia é seu hobby permanente.

Atuando em desenho gráfico e publicitário desde 1979, autodidata, pernambucano radicado em S. Paulo a partir de 1980. Trabalha na criação e desenvolvimento de design para mídia impressa e ilustrações em editoras, gráficas e jornais.

Praticante dos versos livres, sua busca poética não tem outro destino a não ser a expressão, no sentido literário, de uma palavra-imagem que reflita permanentemente sobre toda forma de comunicação.

Contatos pelo e-mail: fabiodesenhos@gmail.com

 

 

CONHEÇA TAMBÉM O FOTLOG DE DESIGN (FAÇA SUA CONSULTA SOBRE CRIAÇÃO DE CAPA  DE LIVROS),

acesse aqui:   http://fabio.fernando.nafoto.net

 

 

 



Escrito por Fabio Fernando às 17h52
[] [envie esta mensagem
]





SÁBADO NA CIDADE MARAVILHOSA

Sábado na cidade maravilhosa.

O impossível ocorrendo à volta.

A noite na velha Lapa,

um fantasma do desejo coletivo.

Poucas luzes, os sons abafados

entre bocas embriagadas.

Minha vida extasiada.

Relógios na eternidade,

a juventude confusa.

A musa passeia nos olhos

muito longe da mente.

A palavra na poesia se estraga.

A prostituta nada ganha,

o traficante se apanha

e o travesti sorri.

De nada.

Não há obrigados,

nem abrigos para os casos.

A polícia reclama.

O Rio de Janeiro é um corpo negro

Não se sabe do ontem

e nem do amanhecer.

Cada rosto diz um gosto

amargo, cansado de tédio.

Estranhos se cumprimentam.

A noite prossegue.

Profissão de festa.

Janelas centenárias

causam um ar barroco

no cimento sem alma.

Um louco se perde

entre tantos absurdos.

O músico estaciona seu talento

numa mesa nua

e bebe à pobreza humana

e canta a rude aclamação

dos ônibus, transportes das horas.

Sexo, amores desonestos,

nenhuma amizade à vista;

a pista dos “nonsenses” aquecida

sob as costas da barbárie desurbana.

 



Escrito por Fabio Fernando às 17h41
[] [envie esta mensagem
]





A LIBERDADE CUSTA CARO

A liberdade custa caro. A humanidade não a conquista.

Heterógamos, indivíduos no caos e cegos entre si,

Pagamos pelo prazer com o risco do não ter amanhã.

Mas a razão sempre nos chora, colorindo nosso sangue.

Pois a cada gole de felicidade, esvazia-se o raro cântaro,

Já não se pode preservar a luz, matéria sagrada do momento,

Pois o tempo para a raça humana é um fascismo do ideal.

A liberdade, afinal, não tem preço; é cifrão imensurável.

Serve à memória como o fio de Ariadne no labirinto do futuro.

Posto que não há saída a não ser a reflexão, a paixão e a arte,

A liberdade deve-se, sim, comprar, com todas as armas,

Da coragem à vaidade, da perfeição ao dever, do direito ao medo.

Porque somos esses humanos, partes de um só desejo.

A vida é um produto.

 

Fábio Fernando



Escrito por Fabio Fernando às 11h30
[] [envie esta mensagem
]





MINHA É A NOITE

Minha é a noite,

quando o silêncio dorme

           e fica em espírito,

comigo, a vida.

E me revela-se

                    a eternidade,

a hora do impossível

e do pensar desmedido

– quando creio estar sozinho

como se nunca houvesse

                           nascido.

 

Fábio Fernando

Escrito por Fabio Fernando às 11h26
[] [envie esta mensagem
]







Escrito por Fabio Fernando às 11h24
[] [envie esta mensagem
]





NA SALA IMAGINÁRIA

Na sala imaginária, um público.

Escuta-se a declaração do poema.

Faz-se um silêncio estrondoso.

Querem saber o final das palavras.

Por onde elas seguem, entre sensibilidades.

Hão de entendê-las sem o saber.

Pois o que se diz ali é criação.

Coisa, sim, sem explicação.

De um sentimento escrito que virá

De tornar mitos em razão.

Vibrando aos ouvidos. E aos olhos.

Surgindo. Num sólido fenômeno.

Na sala a imaginação é coletiva.

O imaginário. Próprio da arte.

- O poema é de cada um.

 

Fábio Fernando

 

 



Escrito por Fabio Fernando às 11h23
[] [envie esta mensagem
]





O SEGREDO

O valor que se deve

à enamorada,

é não torná-la esposa

do trabalho, do hábito limpo,

da comida mais fácil e

(até bem mais tarde)

dos teus filhos.

 

Livra-te do viver marido

— condado de tiques!

 

O teu desejo — não o dela!

— o desejo da enamorada

é não sentir mais desejo,

mais saciada, sempre,

ela seja — por teu desejo;

não de tê-la, mas

de dar-lhe tudo:

(todo o segredo do futuro.)

 

Fábio Fernando

 



Escrito por Fabio Fernando às 11h18
[] [envie esta mensagem
]





LITERÔMANO

ENTRE O CERTO E O ERRADO

O amor desmistifica o sexo.
E a liberdade o amor.
O sexo desmistifica a liberdade.
...E a liberdade o amor!

Fábio Fernando

 

 

Fábio Fernando

 

 



Escrito por Fabio Fernando às 11h14
[] [envie esta mensagem
]





DENSIDÃO LIVRE

I

 

O poeta é uma pedra que fala

Ao vento sobre sua presença

Que se alimenta de pó

Composta pelo tempo

 

A sua realidade o diz

No que ele representa

Este vão-momento

Entre o ontem e o amanhã. 

 

II

 

Que eu seja para ti

Somente o poeta

Nunca um ser, mas o fim

De uma existência

 

Porque para mim

Este fim de existir

É uma eternidade

 

 



Escrito por Fabio Fernando às 11h10
[] [envie esta mensagem
]





RESISTÊNCIA

A mão pesa na poesia.

Faz a palavra sentir medo.

O olho, que lê, guarda segredo.

E da verdade nada se tira.

 

São tantas visões e versos.

Fatos conhecidamente belos

E velhos problemas importantes.

 

Todos precisam ter suas casas!

 

Na solidão de um pensamento,

Um é dois e dois são muitos.

- Como posso ouvir um mundo

Que não pensa na língua que fala?

 

Mesmo antes do saber,

O fim merece ser visto.

 

Achado a razão, resta o capricho

De, antes de vir a morte,

Não morrer!

 

Fábio Fernando

 

 

  

     



Escrito por Fabio Fernando às 11h09
[] [envie esta mensagem
]





ENFIM A HORA

Notas passeiam no impossível

Na palavra onde tudo aparece

 

Há um grito sibilante

Situado entre luz e som

 

As mãos são como folhas

Precisam cair suas artes

 

A hora é a palavra limite

Onde se guardam os sonhos

 

Fábio Fernando



Escrito por Fabio Fernando às 11h02
[] [envie esta mensagem
]



 
  [ Ver arquivos anteriores ]